terça-feira, 29 de dezembro de 2015

MMA - Os Gladiadores Estão de Volta Para Saciar o Sadismo Moderno!

MMA - Os Gladiadores Estão de Volta Para Saciar o Sadismo Moderno!

Cada vez mais o MMA (sigla em inglês de Artes Marcias Múltiplas) entra no gosto popular. Tal modalidade, antes conhecida com o singelo nome de vale tudo, surpreende pela violência extrema dentro dos rings. A modalidade movimenta cifras bilionárias, tem audiência cada vez maior e tornou-se uma indústria forte e consagrada. 
Os lutadores desferem golpes em seus oponentes com uma força gigantesca. Atletas fortes e preparados se agridem com toda força que conseguem. Muitas vezes os lutadores terminam a luta completamente desfigurado. É a espetaculização da violência. As lutas permeadas de cortes, sangue e selvageria.
Mas como a força do capital é gigantesca, a modalidade tem sido defendida por vários setores da sociedade. A Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, faz verdadeira apologia à modalidade. Os jornais de esporte dão cada vez mais espaço para a luta. Nos Estados Unidos, a modalidade é muito estruturada e movimenta somas gigantescas de dinheiro. A violência extrema entra nos lares... e dá muito dinheiro!
Muitas pessoas afirmam que é a possibilidade de ascensão social de jovens de famílias humildes. Que ninguém é obrigado a lutar. Que ninguém é obrigado a assistir. Porém a questão é mais complexa.
Para cada lutador milionário, que tem grande aparato, com assistência médica, treinador, nutricionista e uma conta bancária gorda, vários jovens se lançam em academias precárias e se lançam em rings improvisados ou mesmo ilegais. Seu sonho de se tornar um grande astro não passa de uma ilusão. Mesmo os astros consagrados estão sujeitos a sequelas, lesões gravíssimas e até mesmo morrerem no ring, visto a brutalidade da modalidade ser tamanha. Assim, vários parasitas, como empresários, publicitários, donos de TVs e outros meios de comunicação, ganham rios de dinheiro sem verter uma gota de sangue de seus rostos. São os donos dos gladiadores.
Vivemos em uma sociedade onde a necessidade de ser bem sucedido financeiramente é algo para muitos, mais importante que a integridade física. Muitos jovens iludidos pelo canto da sereia midiática se lançam nos rings hipnotizados pela possibilidade promessa de glória e fortuna. Trocam sua saúde por um esporte sangrento e violento.

A popularidade da luta é tão grande que a mídia passa cenas dos eventos até em horários familiares. Bares, restaurantes, casas de eventos, todas transmitem a selvageria. É impossível ficar alheio aos embates. 
Dessa forma é notório que o sadismo ainda está presente em doses assustadoras na população. Vibrar ao ver uma pessoa ser espancada é muito próximo do sentimento de um cidadão romano que vibrava com as lutas dos gladiadores.
Por outro lado, a população clama por uma sociedade mais pacífica. É um grande contrassenso. Idolatram a violência, mas querem uma sociedade pacífica!

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

PSDB acusou governo federal de fazer o que o PSDB fez: matar CPI depois de propina de R$ 10 milhões a presidente do partido Sergio Guerra

"As informações acima não diminuem ou pretendem diminuir a responsabilidade de integrantes do PT e de todos os outros partidos envolvidos no Petrolão: PMDB, PP, PSB e outros.
Porém, servem para demonstrar que o Petrolão floresceu num período em que, tendo a oportunidade de fazê-lo, o PSDB não fortaleceu as instituições que poderiam desmontá-lo no nascedouro. Pelo contrário, os dois mandatos de FHC ficaram famosos pela atuação do engavetador-geral da República. O presidente se ocupava de coisas mais importantes, como vender por U$ 3 bilhões uma empresa que valia U$ 100 bi, noutro escândalo, aquele sim, jamais investigado".

do www.viomundo.com.br

PSDB acusou governo federal de fazer o que o PSDB fez: matar CPI depois de propina de R$ 10 milhões a presidente do partido Sergio Guerra

publicado em 22 de dezembro de 2015 às 03:27
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Da Redação
O acúmulo de informações sobre a Operação Lava Jato deixa claro: o Petrolão começou no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Diz ele que era, então, um esquema “desorganizado”. Ou seja, a corrupção do PSDB é mais “vadia” que a do PT/PMDB/PP/PSB e outros, parece sugerir o sociólogo.
É exatamente a mesma lógica utilizada para justificar como legais doações feitas pelas empreiteiras envolvidas na Lava Jato a Aécio Neves em 2014, quando aquelas que abasteceram os cofres de Dilma teriam sido “criminosas”.
“Mas, não tínhamos o que dar em troca, já que não controlávamos o Planalto”, argumentam os tucanos.
Porém, e os contratos fechados pelas mesmas empreiteiras com os governos paulistas? E os fechados com os governos de Aécio Neves e Antonio Anastasia em Minas? Não poderia ter se dado aí o quid-pro-quo?
A lógica do PSDB, endossada pela mídia, deu certo no mensalão: embora os tucanos tenham amamentado Marcos Valério no berço, com dinheiro público de empresas estatais como Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), Comig — hoje Codemig, Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais — e o extinto Bemge, o banco estadual mineiro, ninguém foi preso; o ex-presidente nacional do PSDB e senador Eduardo Azeredo foi condenado em primeira instância a 20 anos de prisão (leia íntegra da sentença aqui), depois de 17 anos! Dificilmente passará um dia na cadeia, já que em 2018 completa 70 anos.
Enquanto isso, o mensalão petista deu no que deu, apesar da controvérsia sobre se o dinheiro da Visanet, afinal, era ou não público.
Vejamos quais são os fatos que localizam o berço do Petrolão no quintal de FHC:
1. Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma no Senado, hoje preso, assinou ficha de filiação no PSDB em 1998 e foi diretor de Gás e Energia da Petrobrás em 2000 e 2001, no segundo mandato de FHC, quando conheceu Nelson Cerveró e Paulo Roberto Costa, que agora se tornaram delatores. Os negócios entre eles começaram então.
2. As usinas termelétricas construídas às pressas na época do apagão elétrico — o verdadeiro, não aquele que a Globo prevê desde o governo Lula –, durante o governo FHC, deram prejuízo à Petrobrás superior àquele atribuído à compra e venda da refinaria de Pasadena, no governo Dilma, segundo calculou a Folha de S. Paulo. Mas, vejam que interessante: a Folha apresenta o senador como sendo do PT quando, à época dos negócios denunciados, ele tinha ficha de filiação assinada no PSDB e servia ao governo FHC.
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3. Delcídio é acusado de ter recebido R$ 10 milhões em propina da Alstom neste período. A Alstom foi operadora do trensalão tucano em São Paulo, que atravessou os governos Covas, Alckmin, Serra e Alckmin com uma velocidade superior àquela com que se constrói o metrô paulistano.
4. A Operação Sangue Negro, deflagrada pela Polícia Federal, refere-se a um esquema envolvendo a empresa holandesa SBM, que operou de 1998 a 2012, envolvendo pagamentos de U$ 46 milhões. Em 1998, registre-se, FHC foi reeleito para um segundo mandato.
5. Em delação premiada, o ex-gerente da Petrobras, Pedro Barusco, disse que coletou um total de R$ 100 milhões em propinas desde 1996. Portanto, desde a metade do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Barusco, se contou a verdade, atuou no propinoduto durante seis longos anos sob governo tucano. Por que Lula e Dilma deveriam saber de tudo e FHC não?
6. Outro delator, Fernando Baiano, disse que seus negócios com a Petrobrás começaram em 2000, na metade do segundo mandato de FHC.
O curioso é que, em março de 2014, o PSDB acusou o PT, em nota no seu site, de ter tentado bloquear investigações sobre a Petrobrás.
Desde 2009, o PSDB no Senado solicita investigações sobre denúncias de irregularidades e na direção oposta, o esforço para aprovar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a estatal petroleira foi derrubada pelo governo federal no mesmo ano. […] Em 15 de maio de 2009, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) protocolou um pedido de abertura da comissão, assinado por 32 colegas de diversos partidos, incluindo até mesmo alguns de legendas que apoiam o governo. O requerimento pedia a investigação a fraudes que já haviam sido motivo de trabalhos na Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Ministério Público federal. 
Na justificativa, o tucano argumentou que havia indícios de fraudes em construção e reforma de plataformas de petróleo – em especial relacionadas a grandes superfaturamentos – e desvios de verbas de royalties da exploração do petróleo, sonegação de impostos, mal uso de verbas de patrocínio e fraudes em diversos acordos e pagamentos na Agência Nacional de Petróleo. No entanto, o governo operou internamente com sua base para engavetar o pedido de CPI. Mas o PSDB apresentou requerimentos relacionados à Petrobras, no esforço de buscar respostas às denúncias.
Porém, mais tarde soubemos que foi o ex-presidente do PSDB e ex-senador Sergio Guerra, já falecido, quem teria recebido R$ 10 milhões para enterrar a CPI, segundo o delator Paulo Roberto Costa.
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em sua delação premiada que o então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra – morto em março deste ano –, o procurou e cobrou R$ 10 milhões para que a Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás, aberta em julho de 2009 no Senado, fosse encerrada. Segundo Costa, o tucano disse a ele que o dinheiro seria usado para a campanha de 2010. Aos investigadores da Operação Lava Jato, Costa afirmou que os R$ 10 milhões foram pagos em 2010 a Guerra. O pagamento teria ocorrido depois que a CPI da Petrobrás foi encerrada sem punições, em 18 de dezembro de 2009. O senador era um dos 11 membros da comissão – três integrantes eram da oposição e acusaram o governo de impedir as apurações. 
A extorsão, segundo Costa, foi para abafar as descobertas de irregularidades nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – alvo do esquema que levou ao banco dos réus o ex-diretor da estatal e o doleiro Alberto Youssef. A obra era um dos sete alvos suspeitos na Petrobrás que justificaram a abertura da comissão, em julho. […] O ex-diretor declarou que o então presidente do PSDB estava acompanhado do deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), a quem chamou em seu relato de “operador” […] O delator afirmou que Guerra relatou a ele que o dinheiro abasteceria as campanhas do PSDB em 2010. Naquele ano, o presidente do partido foi o coordenador oficial da campanha presidencial do candidato José Serra. Integrantes da campanha informaram que o ex-senador não fez parte do comitê financeiro.
Vejam vocês que os tucanos denunciados são graúdos: dois senadores e ex-presidentes do partido, Eduardo Azeredo e Sergio Guerra. Não é, portanto, coisa da arraia miúda do PSDB.
No caso de Guerra, supostamente atuou com um operador de outro partido, demonstrando que o Petrolão obedecia a linhas partidárias tanto quanto aquela famosa foto de Delcídio (PT) com Romário (PSB), Eduardo Paes, Pedro Paulo e Ricardo Ferraço (PMDB) celebrando uma “aliança partidária”.
Nosso ponto é que o mensalão, assim como o trensalão e o petrolão, são suprapartidários e expressam a destruição do sistema político brasileiro pelo financiamento privado, aquele que transformou o presidente da Câmara Eduardo Cunha num traficante de emendas parlamentares escritas pela OAS e apresentadas por gente como Sandro Mabel (PMDB) e Francisco Dornelles (PP).
Se é certo que o PT age igualzinho aos outros partidos, também o é que o PSDB não paira ao lado do DEM no panteão da moralidade, né Agripino?
As informações acima não diminuem ou pretendem diminuir a responsabilidade de integrantes do PT e de todos os outros partidos envolvidos no Petrolão: PMDB, PP, PSB e outros.
Porém, servem para demonstrar que o Petrolão floresceu num período em que, tendo a oportunidade de fazê-lo, o PSDB não fortaleceu as instituições que poderiam desmontá-lo no nascedouro. Pelo contrário, os dois mandatos de FHC ficaram famosos pela atuação do engavetador-geral da República. O presidente se ocupava de coisas mais importantes, como vender por U$ 3 bilhões uma empresa que valia U$ 100 bi, noutro escândalo, aquele sim, jamais investigado.

PS do Viomundo: Quais campanhas foram irrigadas pelos R$ 10 mi do Guerra? Existe punição no Congresso por obstruir investigações às custas de dinheiro sujo?

Chico Buarque não tem medo de fascistas! “Não dá para se informar lendo a Veja”, diz Chico Buarque ao defender o PT em discussão no Leblon

Do portal Forum

“Não dá para se informar lendo a Veja”, diz Chico Buarque ao defender o PT em discussão no Leblon


dezembro 22, 2015 15:04

“Não dá para se informar lendo a Veja”, diz Chico Buarque ao defender o PT em discussão no Leblon
O cantor foi cercado em rua do Rio de Janeiro, onde mora, por um grupo que incluía o filho do empresário Alvaro Garnero; entre outras provocações, os agressores sugeriram que “defender o PT é fácil para quem mora em Paris”
por Redação
Na noite de segunda-feira (21), o cantor e escritor Chico Buarque foi abordado por um grupo de jovens e provocado por ser apoiador e ativista do PT. Entre os agressores, estava o filho do empresário paulista Alvaro Garnero. Herdeiro de uma família trasdicional, Alvaro se filiou ao PRB e cogitou ser candidato a deputado federal. O ataque aconteceu em uma rua do bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, onde o cantor mora e por onde costuma passear.
O músico saía de um jantar na rua Dias Ferreira, acompanhado do cineasta Cacá Diegues e do escritor e jornalista Eric Napomuceno, quando foi cercado pelo grupo. As provocações começaram com os jovens afirmando repetidamente e em tom agressivo que “o PT é bandido”. Sem se exaltar, o cantor respondeu: “Eu acho que o PSDB é bandido, e aí?”.
Apesar da agressividade dos jovens, Chico permaneceu calmo e ironizou a posição política do grupo, dizendo que “com base na revista Veja, não dá para se informar”. Um dos agressores, então, replica: “A minha opinião é a minha opinião”.
No final da discussão, um dos jovens afirma que “defender o PT e morar em Paris é fácil”, ao que Chico responde: “Eu não moro em Paris, eu moro aqui”.
O vídeo do bate-boca foi feito pela repórter Julia Moura, do Glamurama; confira.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A Besta Fera do Fascismo está uivando

No último domingo em uma manifestação contra um governo eleito democraticamente, um bando de pessoas transtornadas tentaram linchar um garoto. Acusavam o mesmo de roubo. O menino foi preso pela polícia, porém fascistas aproveitando que estavam em bando e que o pequenino garoto estava imobilizado, desferiram tapas e xingamentos. Selvageria, covardia, loucura! 

pragmatismopolitico.com.br

Justiceiros pró-impeachment tentam linchar menor em Copacabana



Manifestantes pró-impeachment de Copacabana no último domingo tentam espancar menor negro. Mesmo preso e cercado por policiais, o jovem ainda recebeu socos e tapas de 'justiceiros de bem' que queriam linchá-lo. "Tem que metralhar esse daí. Metralhar. Tiro na cabeça!", grita uma jovem enraivecida

Durante a manifestação pró-impeachment de Dilma Rousseff no último domingo na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, um menino de cerca de 12 anos foi acusado de roubo e preso pela polícia (vídeo abaixo).
Depois de detido e cercado por policiais, manifestantes se aproximaram para agredir o garoto como tentativa de puni-lo.
O jovem ainda recebe tapas e puxavões na cabeça antes de ser encaminhado à delegacia numa viatura da Polícia Militar.
Quando o garoto franzino está completamente imobilizado pela PM, um senhor encorpado desfere um soco forte em suas costas.
“Tem que metralhar esse daí. Metralhar. Tiro na cabeça!”, grita uma jovem enraivecida.
“Cadê os direitos humanos agora? Cadê? Ladrão! Desgraçado!”, protesta um casal de meia idade.

Ao comentar o incidente nas redes sociais, o jornalista Luis Nassif afirmou que “esses [os justiceiros] são os personagens transformados em atores políticos por uma mídia que praticou a retórica do ódio por todos esses anos”

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A grossura do homem-bomba do PMDB e a “democracia de verdade”

Publicado no: www.viomundo.com.br

A grossura do homem-bomba do PMDB e a “democracia de verdade”

O vice-presidente Michel Temer e, segundo O Globo, dois de seus assessores para assuntos do impeachment de Dilma: os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Moreira Franco, autor do Plano Temer.
Da Redação
O PMDB quer assumir o governo para implantar um projeto econômico que, nas palavras do senador petista Lindbergh Farias, “nenhum candidato ao Planalto teria condições de apresentar aos eleitores”.
É o desmanche de direitos sociais garantidos pela Constituição de 1988, conforme denuncia o senador Roberto Requião. Isso, com um mandato obtido sem um voto sequer, ou seja, através de uma “eleição indireta” no Congresso — se vingar o afastamento de Dilma.
Aliado a ele, o PSDB faria sua segunda reforma neoliberal — esta com a mão do gato. O que poderia dar em troca? Sumiço da Lava Jato do noticiário? Apoio a um novo engavetador-geral da República?
Afastar Dilma é o primeiro passo para enterrar a operação da PF que pode chegar a outros líderes do PMDB, dentre os quais o próprio Temer, permitindo assim que implantem seu plano econômico sem interferência da Polícia Federal.
A ala pró-Temer diz que Padilha [ex-ministro Eliseu], expert em planilha e controle de votos desde a Constituinte, começa a trabalhar a partir de amanhã no gabinete da presidência do PMDB, que fica na Câmara dos Deputados.
Outro membro atuante do grupo do vice-presidente é o ex-governador e ex-ministro Moreira Franco, autor do “Plano Temer”, apelido que ele mesmo deu ao programa de governo elaborado pelo PMDB no mês passado, contendo medidas opostas às adotadas por Dilma. O documento, escrito após consultas a vários economistas próximos ao partido, foi interpretado como um programa de transição a ser adotado após a saída da presidente e, ao mesmo tempo, como um sinal para o mercado financeiro e o setor produtivo.
Ao ser apresentado aos peemedebistas, em um congresso da Fundação Ulysses Guimarães, presidido por Moreira, o vice-presidente da República foi recebido com um coro de “Temer, veste a faixa já”. Na base do partido, o sentimento há muito tempo é pela ruptura.
— O impeachment está posto e certamente será uma grande contribuição para que possamos recuperar 2015, um ano que se perdeu na queda de braço entre a presidente Dilma e Eduardo Cunha, e de retomarmos o esforço de criar condições para que possamos sair da maior crise econômica da História — afirmou Moreira.
Geddel sempre resistiu à manutenção da aliança com o PT no governo Dilma. Aliado de Aécio Neves em 2014, ele circula em Brasília entre o Palácio do Jaburu e o gabinete do irmão, o deputado Lúcio Vieira Lima. Não por coincidência, Lúcio é um dos 22 deputados peemedebistas que trabalham abertamente pelo afastamento da presidente. Nesse grupo está também o deputado Osmar Terra (RS) — que, tão logo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deu andamento à ação contra Dilma, foi ao Jaburu conversar com a cúpula partidária.
— Geddel é o nosso Estado Islâmico, o homem-bomba do partido — resumiu um peemedebista da cúpula ao GLOBO sobre a atuação do baiano quando o assunto é impeachment.
Fora do núcleo mais próximo de Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) defende abertamente o impeachment desde o início do ano. Com presença menos frequente nas reuniões quase diárias que ocorreram nas últimas semanas à noite no Palácio do Jaburu, o peemedebista se reaproximou. Nos bastidores, Jucá atua entre políticos, empresários e representantes do mercado financeiro na defesa de que só com uma mudança de ares seria possível recuperar a economia do país.
Em meio à crise política, interlocutores da presidente sondaram uma possível volta de Jucá à liderança, ao que o peemedebista ironizou a aliados:
— O Titanic está afundando, e querem me dar um camarote? Tô fora.
Além do oportunismo explícito, impressiona o baixo nível de um debate no qual está em jogo o futuro do Brasil.
Geddel, ontem à noite, no twitter:

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Questionado pelo Viomundo por causa do baixo nível da argumentação, Geddel respondeu que usa a linguagem “do povo”.

O ex-deputado estava, obviamente, fazendo referência ao processo de impeachment do ex-presidente Bill Clinton, nos Estados Unidos, no final dos anos 90.
Para Geddel, aparentemente, não vivemos numa “democracia de verdade”.
A “argumentação” do tweet não é apenas grosseira, mas falaciosa.
Correspondente nos Estados Unidos, acompanhei de perto os dois mandatos do ex-presidente Clinton.
A reação impiedosa da oposição republicana a Clinton, no primeiro mandato, a partir de 1993, começou por conta da reforma do sistema de saúde apresentada por Hillary Clinton, logo apelidada de Hillarycare.
Foi um massacre patrocinado pelos lobistas da indústria da saúde privada. Desde então, para o dinheiro grosso Clinton ficou marcado para morrer. Tanto que o assunto só retornou ao debate público quase vinte anos depois, no governo Obama.
Clinton também pagou pela mágoa acumulada dos republicanos, que haviam perdido uma eleição que consideravam ganha. Ele frustrou o que era dado como certo: o segundo mandato de Bush pai, “herói” da derrota de Saddam Hussein na primeira Guerra do Golfo.
Embora Clinton, a partir do fracasso do Hillarycare, tenha guinado mais e mais à direita, governando com Wall Street, seu sucesso eleitoral enfureceu os republicanos, que detinham o controle da Câmara pela primeira vez em 40 anos. O democrata se reelegeu com folga em 1996.
Foi então que vários escândalos propagados pela direita raivosa através de talk-shows de rádio — a versão norte-americana dos Revoltados On Line era radiofônica — deu origem a uma investigação de um promotor especialmente destacado pela Justiça: Kenneth Starr. Starr tinha sido indicado para um tribunal superior por Ronald Reagan e ocupara o posto de advogado-geral da União no governo Bush. Mal comparando, uma espécie de Gilmar Mendes investigando o governo Lula.
Starr foi acusado seguidamente de “politizar” o processo, promovendo vazamentos em série à imprensa que poderiam ter impacto eleitoral, na linha do que acontece hoje na Operação Lava Jato.
Starr não investigou Clinton apenas pelo “boquete” da estagiária, como quer fazer crer o ex-ministro Geddel. Starr isentou o ex-presidente de envolvimento na morte de um assessor. Vincent Foster cometeu suicídio, mas a direita raivosa atribuía a morte à Casa Branca, suspostamente para encobrir malfeitos de Bill e Hillary quando ainda estavam no governo de Arkansas. Starr perseguiu o escândalo de Whitewater, um negócio imobiliário obscuro tocado pelos Clinton em seu estado de origem. Starr foi atrás das muitas amantes de Clinton, uma das quais, Paula Jones, acionou-o na Justiça.
O promotor não achou nenhuma ofensa “impeacheable” de Clinton.
Nada que pudesse tirá-lo do poder, a não ser uma denúncia vaga de obstruir a Justiça e, sim, uma mentira contada por Clinton num depoimento à Justiça, quando negou ter mantido relações sexuais com a estagiária Monica Lewinsky.
Foi assim que o ex-presidente foi “impichado” pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em 1998, por perjúrio e obstrução de Justiça. Foi absolvido pelo Senado.
Clinton respondeu a duas acusações bem específicas de violar a lei, a partir de uma longa investigação da Justiça, diferentemente do que acontece hoje com a presidente Dilma Rousseff.
Além de ser altamente discutível se Dilma de fato cometeu “crime de responsabilidade”, o processo a que ela vai ser submetida, claramente político, teve andamento por obra de um presidente da Câmara ele mesmo acusado de corrupção com robustas provas, num momento de “vingança”.
Para Geddel, se os Estados Unidos — na definição dele, uma “democracia de verdade” — processaram Clinton por causa de um “boquete”, por que seria golpe apurar crime de responsabilidade de Dilma?
Porque nos EUA, repetimos, apesar do processo ter feito parte de uma guerra política, as duas acusações a Clinton eram bem específicas. Aqui, não pesa contra Dilma acusação de perjúrio, nem de obstrução de Justiça.
A comparação feita pelo “homem-bomba” do PMDB — o Estado Islâmico, segundo aspas publicadas pelo O Globo — não é apenas enganosa e de baixo nível; serve também para demonstrar porque, com um ex-deputado e ministro como ele, não vivemos “numa democracia de verdade”.
O processo de impeachment de Clinton foi um turning point na degradação do debate político nos Estados Unidos, um vale-tudo que tinha como expoente o republicano Newt Gingrich, cuja retórica hoje se encaixaria perfeitamente no Tea Party. É a mesma degradação expressa na comparação obtusa de Geddel.